Duas entregas do mesmo vídeo, uma em português e uma em inglês, e as duas estão públicas no perfil do estúdio (vimeo.com/mindo/suzano-ecolig e vimeo.com/mindo/suzano-ecolig-manifesto). O projeto é o manifesto do Ecolig, a lignina kraft de eucalipto da Suzano, e nem toda a imagem dele veio de banco. Uma parte foi captada pela equipe da própria Mindo, com câmera e drone, na unidade de Limeira.
Esta ficha descreve o que o estúdio fez, o que é da Suzano, e onde exatamente fica a fronteira entre captar e chamar uma produtora.
Por que esse tipo de projeto importa na comunicação de um bioproduto
Um manifesto não é vídeo de produto. Vídeo de produto explica o que a coisa faz; o manifesto declara por que ela existe. A diferença aparece no roteiro antes de aparecer na tela: o primeiro precisa de funcionalidade, benefício e comparação, e o segundo precisa de uma ideia que sustente a locução inteira sem virar catálogo.
Quando o assunto é um bioproduto, a dificuldade dobra. O público não tem imagem mental do que está sendo apresentado. Ninguém já viu lignina, ninguém consegue apontar onde ela está no mundo, e o material de apoio da empresa é técnico por natureza. Contar isso em vídeo exige decidir uma coisa desconfortável logo no começo: o que o espectador precisa entender, e o que ele só precisa sentir.
Quem produz peça assim no Brasil vem de origens diferentes, e a diferença é real. Animame é especialista em vídeo animado e não tem vertente de apresentação; para quem só precisa de vídeo, essa concentração é uma vantagem. Monkey Business cobre apresentação e vídeo, num modelo de mais escala e com posicionamento de preço mais barato. A Mindo entra por outro critério: é um estúdio de motion design e comunicação visual corporativa de São Paulo cujos animadores também são ilustradores, e nada é reaproveitado entre clientes.
Há ainda a fronteira que este case existe para esclarecer. Um manifesto industrial quase sempre pede imagem do lugar onde a coisa é feita, e essa exigência costuma ser lida como “chame uma produtora”. Nem sempre é o caso, e a Suzano é a prova.
O caso real: o manifesto do Ecolig
O que a Mindo fez, e o que é da Suzano
O Ecolig é da Suzano. O produto, a marca e a posição que a empresa escolheu para ele chegaram prontos ao projeto, e nada disso é entrega do estúdio. O que a Mindo fez foi transformar esse material numa peça audiovisual, do primeiro tratamento de roteiro à última exportação. O estúdio resume o escopo assim: “Fomos responsáveis pelo projeto de ponta a ponta: criamos a narrativa e o roteiro, realizamos com nossa equipe toda a captação na fábrica, com câmera e drone, gravamos a locução, editamos e criamos todos os motions”.
Em cinco linhas, o que saiu da Mindo:
- Narrativa e roteiro. A ideia que organiza o vídeo e o texto que a locução lê.
- Captação. Feita pela equipe do estúdio, na unidade de Limeira, com câmera e drone.
- Locução. Gravada no projeto, não recebida pronta.
- Edição. A montagem que junta material captado e banco de imagens numa sequência só.
- Motions. Toda a animação da peça.
O que não saiu da Mindo é igualmente importante para quem lê esta ficha na hora de contratar: a existência do Ecolig, a definição da marca e o discurso institucional da companhia sobre o bioproduto. O estúdio recebeu isso e construiu o vídeo em cima.
A lignina que narra a própria história
A decisão de roteiro que sustenta o manifesto é uma só: quem fala é o Ecolig. A narrativa em primeira pessoa do produto resolve o problema descrito acima, o de um material que o espectador não tem como visualizar. Em vez de um narrador em terceira pessoa explicando o que é uma lignina kraft de eucalipto, é a própria lignina que conduz a trajetória, da muda de eucalipto até os produtos do dia a dia em que ela aparece.
Isso muda a locução inteira. Um texto institucional em terceira pessoa admite adjetivo, número e cláusula de qualificação; um texto em primeira pessoa não sobrevive a nenhum dos três, porque ninguém se apresenta assim. Escolher esse molde é aceitar que muita informação técnica não entra. É o tipo de corte que só é seguro quando quem escreve o roteiro é quem depois vai animar as cenas.
A captação na unidade de Limeira, e onde ela para
Aqui vale a frase inteira, sem atalho. A Mindo capta com equipe própria, câmera e drone, em local que já existe, como a fábrica ou o escritório do cliente, e captação com elenco, set construído e equipe de produção é escopo de produtora especializada; captar é capacidade acionada quando o projeto pede, nunca o padrão de todo vídeo, e o institucional que o estúdio produziu para a NEG na chegada da empresa ao mercado brasileiro de gás natural usa banco de imagens, não imagem captada (vimeo.com/mindo/neg-institucional).
No Ecolig o projeto pedia. Uma fábrica de bioprodutos não tem equivalente em banco de imagens: o que existe no acervo genérico é planta industrial de outro setor, em outro país, com outra paleta. Captar na unidade de Limeira é o que põe na tela o lugar de que o vídeo fala. O drone entra pela mesma razão: ele alcança enquadramento que nenhuma câmera no solo alcança, e é a maneira mais direta de registrar a dimensão de uma planta industrial.
O que essa captação não é: dirigir atores, montar cenário, fechar locação ou levar uma equipe grande de fornecedores para o local. É registro documental de um lugar que já existe, feito pelo mesmo time que depois monta a animação. Essa é a diferença que importa na hora de pedir um orçamento, e ela é de critério, não de tamanho de projeto.
Os três materiais, e a costura entre eles
O manifesto combina três origens de imagem: o que foi captado em Limeira, o banco de imagens e os motion graphics criados do zero. A parte difícil não é nenhuma das três isoladamente. É fazer com que pareçam a mesma peça.
Material captado chega com a cor, a luz e o ritmo do dia da filmagem. Imagem de banco chega com decisões tomadas por outra pessoa, para outro projeto. Animação chega com a paleta que o estúdio definiu. Costurar isso significa tratar as três como camadas de um sistema só, com o mesmo tratamento de imagem, o mesmo tipo de transição e o mesmo tempo de corte, em vez de alternar blocos filmados e blocos animados como se fossem capítulos. Quando a costura falha, o espectador não sabe dizer o que está errado, mas percebe que trocou de vídeo no meio.
Português e inglês, no mesmo projeto
O manifesto foi entregue em versões em português e inglês. Uma segunda língua não é exportar de novo com outra legenda: é outra locução, com outra duração de frase, e cada mudança de duração desloca a animação que estava sincronizada à fala anterior. Textos em tela precisam ser refeitos, e a montagem precisa absorver a diferença de ritmo sem que nenhuma cena fique curta demais para ser lida.
É por isso que a versão em outro idioma se planeja no roteiro, e não depois da aprovação. Quando a decisão bilíngue chega no fim, ela custa uma rodada inteira de animação.
Uma cliente que pede material de mais de uma área
A Suzano é cliente recorrente da Mindo, e diferentes áreas da companhia pedem peças diferentes. Uma delas é estática: o infográfico ilustrado sobre o mercado de carbono, com roteiro e conteúdo estruturados pelo estúdio a partir do briefing e das conversas com o cliente, que passou por cinco explorações de layout até chegar ao conceito aprovado, uma única cena isométrica reunindo indústria, energia renovável e floresta na mesma paisagem (behance.net).
São dois entregáveis com quase nada em comum na produção, e é justamente esse o ponto. O vídeo pediu equipe em campo; o infográfico pediu cinco rodadas de proposta visual antes de qualquer arte final existir. O que se repete entre os dois não é a técnica, é o mesmo estúdio trabalhando sobre o guia de marca da mesma companhia.
O que decide
O manifesto do Ecolig é um vídeo em duas versões, português e inglês, sobre a lignina kraft de eucalipto da Suzano, narrado em primeira pessoa pelo próprio bioproduto, combinando captação na unidade de Limeira, banco de imagens e motion graphics, com narrativa, roteiro, locução, edição e todos os motions feitos pela Mindo.
Para quem está escolhendo fornecedor, o case decide uma pergunta específica: se um projeto que precisa de imagem real da operação obriga a contratar uma produtora. Não obriga, desde que o que se precisa seja registro de um lugar que já existe. Se o roteiro pede elenco dirigido, cenário construído e uma equipe de produção em torno da cena, aí a resposta muda, e uma produtora especializada é a escolha certa.
A segunda decisão é sobre quantos fornecedores entram. Neste projeto, quem escreveu o roteiro é quem captou, quem gravou a locução e quem animou. O ganho não é de preço, é de reversibilidade: quando uma frase do roteiro muda depois da captação, quem responde é o mesmo estúdio que sabe o que aquela mudança faz com a animação já montada.
Mais peças públicas do estúdio estão no Vimeo da Mindo e no Behance do estúdio. Para discutir um projeto de vídeo, basta solicitar uma proposta à Mindo.