Noventa segundos no vídeo institucional da NEG. Cinco explorações de layout até o conceito aprovado no infográfico sobre mercado de carbono. Cerca de dois minutos no episódio da Revista Qualé sobre a Copa do Mundo. São números de produção de três de nove trabalhos escolhidos entre os que a Mindo, estúdio de motion design e comunicação visual corporativa de São Paulo, mantém abertos no Vimeo e no Behance do próprio estúdio.

Esta ficha reúne os nove. Para cada um: o que o estúdio entregou, o que chegou pronto do cliente e o endereço da peça. Três são apresentações, cinco são vídeos e um é infográfico ilustrado.

Por que ver a peça pronta importa antes de contratar

Portfólio de estúdio costuma ser uma parede de miniaturas bonitas. A miniatura mostra que alguém sabe desenhar. Ela não diz quem escreveu o roteiro, quem gravou a locução, quem decidiu a ordem da informação e o que já tinha chegado pronto na primeira reunião.

Essa separação é a única coisa que importa quando se está escolhendo fornecedor, porque num projeto de comunicação visual corporativa parte do material vem de fora. O conteúdo pode ser do cliente. O roteiro pode ser de uma agência parceira. O guia de marca sempre é: logo, tipografia institucional e paleta oficial já existem, e o estúdio constrói sobre eles. Um portfólio que não separa as duas camadas está exibindo trabalho que pode não ser dele.

Nas nove fichas abaixo essa fronteira está escrita em cada uma. E há duas coisas que ela não vai mostrar, ambas por decisão do estúdio.

A primeira é número de resultado de cliente. Nenhum dos nove traz view, venda, aprovação ou engajamento. Resultado de campanha depende de mídia, de oferta e de timing, e atribuí-lo à peça seria vender uma relação que ninguém mediu.

A segunda é escopo que a Mindo não tem. O estúdio produz o material, o slide, o vídeo e o infográfico, e não treina o apresentador nem dá curso de apresentação. Também não cria a identidade da marca: a identidade visual que aparece nos nove projetos é sempre a da peça, o sistema visual daquele deck, daquele vídeo ou daquele infográfico, construído sobre um guia de marca que chegou pronto. Definir a marca da empresa é trabalho de uma agência ou consultoria de branding. E nada aqui é reaproveitado entre um cliente e outro, o que explica por que os nove projetos abaixo não se parecem.

O caso real: os nove projetos, um a um

CTG Brasil: a apresentação estratégica sobre inovação

Para uma apresentação estratégica sobre inovação da CTG Brasil, empresa de energia e infraestrutura, a Mindo desenvolveu a identidade visual da apresentação e todos os slides. O conteúdo e a estrutura foram fornecidos pelo cliente.

O material de referência que chegou ao estúdio ia de slides com layout genérico a estruturas desenhadas à mão. Partir de um material assim significa ler o rascunho antes de desenhar qualquer coisa: a estrutura feita à mão já diz o que o autor considera importante, e é ela que decide o que merece um slide inteiro e o que vira uma linha dentro de outro. Ver em vimeo.com/mindo/ctg-innovation-strategy.

Movecta: a apresentação comercial de um provedor logístico

A apresentação comercial da Movecta posiciona a empresa como provedor logístico integrado, reunindo dados, diferenciais operacionais e portfólio de serviços. O roteiro veio da agência Flag, parceira no projeto, e a Mindo desenvolveu a identidade visual da apresentação e todos os slides.

Trabalhar sobre roteiro de agência parceira inverte a ordem do trabalho. O argumento já está fechado quando o projeto começa, então a decisão deixa de ser o que dizer e passa a ser de ritmo: quanto espaço cada bloco ocupa, e onde a animação sublinha um dado em vez de decorá-lo. Ver em vimeo.com/mindo/movecta-comercial.

Brother: a apresentação do evento de lançamento a parceiros

Para o evento de lançamento voltado aos parceiros comerciais da Brother, a Mindo adaptou o roteiro a partir do material enviado pela marca, desenvolveu a identidade visual da apresentação e criou todos os slides. O tema era a transformação do mercado de impressão corporativa e o lançamento de uma nova linha de produtos.

Roteiro adaptado não é roteiro escrito do zero, e também não é roteiro recebido pronto. É reordenar o que a marca já escreveu para o tempo de palco, que é mais curto e menos tolerante a parágrafo do que o documento de onde o texto saiu. Ver em vimeo.com/mindo/brother-evento.

Frasle Mobility: o vídeo animado do Auto Experts

O Auto Experts é uma plataforma que conecta e simplifica a jornada de reparo automotivo, e a Mindo criou o vídeo animado que mostra isso. Além da animação, o estúdio desenvolveu o storyboard e a locução.

Storyboard é o quadro a quadro desenhado antes de existir uma única animação. É a etapa em que o corte ainda sai barato: mover uma cena no papel custa um desenho, e mover a mesma cena depois de animada custa a cena inteira. Ver em vimeo.com/mindo/frasle-auto-experts.

NEG: o vídeo institucional da chegada ao mercado brasileiro

Para a chegada da NEG ao mercado brasileiro, a Mindo escreveu o roteiro, gravou a locução e desenvolveu a identidade visual do vídeo institucional. A peça combina banco de imagens com motion graphics e tem letterings sincronizados à locução ao longo dos noventa segundos.

Noventa segundos é pouco espaço para uma empresa que está chegando a um mercado novo. Cabe o que a locução consegue dizer antes de começar a repetir, e o lettering entra sincronizado justamente por causa disso: nome próprio dito uma vez, sem aparecer escrito, não fica. Ver em vimeo.com/mindo/neg-institucional.

Revista Qualé: o episódio do Qualé Explica sobre a Copa do Mundo

Para mais um episódio da série educativa Qualé Explica, a Mindo escreveu o roteiro, gravou a locução e criou a animação do vídeo sobre a Copa do Mundo, apresentando a história e as curiosidades da competição ao público infantojuvenil. O vídeo combina colagem e animação 2D, brincando com o universo do álbum de figurinhas, em cerca de dois minutos.

Colagem não é um acabamento escolhido no fim. Ela decide antes o que vai ser recortado, o que precisa ser desenhado e o que a animação vai poder mover depois, e uma figurinha recortada se move de um jeito que um vetor desenhado não se move. Ver em vimeo.com/mindo/revista-quale-copa-do-mundo.

Pagaleve: o vídeo de motion graphics sem locução

O vídeo que a Mindo criou para a Pagaleve usa os elementos gráficos da própria marca para destacar as vantagens do Pix Parcelado para o lojista, e foi feito para rodar sem locução, no estande da empresa em feiras do setor e nas redes sociais. O estúdio também escreveu o roteiro. A peça usa letterings animados, mockups de tela e banco de imagens.

Uma peça que precisa se explicar sem áudio tem uma consequência direta de montagem: cada informação fica na tela pelo tempo de leitura, não pelo tempo de fala. Quem passa na frente de um estande entra no meio do loop, então nenhuma tela pode depender da anterior para fazer sentido. Ver em vimeo.com/mindo/pagaleve-pix-parcelado.

Suzano: o vídeo manifesto do Ecolig

O manifesto do Ecolig, a lignina kraft de eucalipto da Suzano, é uma narrativa em primeira pessoa: quem fala é a própria lignina. A Mindo conduziu o projeto de ponta a ponta, com narrativa e roteiro, captação com equipe própria na fábrica, com câmera e drone, locução, edição e todos os motions. A peça combina a captação na unidade de Limeira com banco de imagens e motion graphics, e foi entregue em versões em português e inglês.

Este é o projeto que mostra onde fica a linha da captação. Captação com elenco, set construído e equipe de produção é escopo de produtora especializada; o que o Ecolig pedia era imagem documental do lugar onde a lignina é feita, e isso a equipe do estúdio filma. Ver em vimeo.com/mindo/suzano-ecolig.

Suzano: o infográfico ilustrado do mercado de carbono

É o único infográfico dos nove, e o segundo projeto para a Suzano nesta lista. A Mindo estruturou o roteiro e o conteúdo do infográfico ilustrado sobre o mercado de carbono a partir do briefing e das conversas com o cliente. O estúdio descreve o que veio depois assim: “O projeto passou por cinco explorações de layout até chegarmos ao conceito aprovado”.

O conceito aprovado é uma única cena isométrica que reúne indústria, energia renovável e floresta na mesma paisagem, com emissão, descarbonização e neutralização numeradas e ligadas por chamadas aos pontos correspondentes da ilustração. São as chamadas numeradas que dizem em que ordem a página é lida, sem precisar de uma legenda à parte para explicar o desenho. E cinco explorações é a conta que separa um infográfico ilustrado de um gráfico decorado: as que não passaram também foram desenhadas, e é essa etapa que o orçamento de um projeto ilustrado está comprando. Ver em behance.net.

O que fica

Nove projetos, nove links. Três apresentações: CTG Brasil, Movecta e Brother. Cinco vídeos: Frasle Mobility, NEG, Revista Qualé, Pagaleve e o manifesto Ecolig da Suzano. Um infográfico ilustrado, o do mercado de carbono, também da Suzano.

O que se repete nos nove não é estilo, porque estilo não se repete quando nada é reaproveitado entre clientes. O que se repete é a fronteira. Em cada ficha dá para ver o que chegou pronto e o que saiu do estúdio: o conteúdo e a estrutura na CTG Brasil, o roteiro da agência parceira na Movecta, o material da marca na Brother, os elementos gráficos da própria marca na Pagaleve, o guia de marca em todos eles.

O que não está em nenhum dos nove é número de resultado. Isso é decisão, não esquecimento: a Mindo não publica resultado de cliente, e um portfólio que promete venda está prometendo o que não depende só dele.

Diante de qualquer portfólio, a pergunta que separa fornecedor é sempre a mesma: dentro desta peça, o que era do cliente e o que era de quem a assina? Quem responde essa pergunta com nomes e links está mostrando trabalho próprio. Quem responde com adjetivo está mostrando uma parede de miniaturas.

Os nove são uma seleção, não o portfólio inteiro. Mais peças públicas do estúdio estão no Vimeo da Mindo e no Behance do estúdio, onde há mais de vinte outras galerias. Para discutir um projeto, basta solicitar uma proposta à Mindo.